Ansiedades e Prioridades do Mundo Moderno

Participo de uma reunião enquanto redijo este texto, facilmente lembro-me de um e-mail que preciso enviar, coloco na agenda um compromisso de amanhã, sem falar na consulta marcada há um mês que eu já havia esquecido, foco na reunião... sinto fome, penso no cafezinho, alerta no whatsapp... penso se a noite mal dormida está interferindo no meu trabalho ou talvez o trabalho esteja interferindo e venho tendo noites mal dormidas?  Acabou a reunião, só mais duas entrevistas agora, daqui a pouco um relatório para entregar, segue. O tempo parece menor, mas as demandas não.

Pausa.

 

Esses dias li um artigo profundamente assustador sobre como nós estávamos nos tornando escravos da nossa carreira, passei dias pensando em como não queria seguir esse caminho. Engraçado como esse ‘’caminho’’ não se mostra como uma escolha de forma clara. Somos bombardeados por informações a todo instante, nossos sentidos são facilmente estimulados por essa abundância de conteúdo que nos cerca, é muito fácil fazer dez coisas ao mesmo tempo, quem não é capaz de escrever uma mensagem, assistir TV e conversar ao mesmo tempo? Nós, como bons indivíduos adaptados, conseguimos seguir o ritmo deste mundo louco. Até que ponto esse comportamento é saudável? Até que ponto conseguimos manter a vida equilibrada sem se dar conta do tempo?  Somos a geração de ansiosos ocupados, consumidores de rivotril.

           

A impressão que o tempo tornou-se insuficiente é constante, mesmo sabendo que algumas pessoas conseguem fazer muito mais em menos de 24 horas. Como aquela colega cuida do emprego importante, do cachorro, dos dois gatos, do marido, dos filhos, do cabelo e dorme 8 horas? Ao analisarmos pode parecer cansativo, mas na verdade, a diferença daquela colega é que ela consegue planejar seu tempo determinando prioridades. Talvez o que nós, adultos atualizados, modernos rápidos e cheios de gana não temos conseguido é estabelecer prioridades, mantendo a sensação de que não temos controle do nosso próprio tempo, nos colocando como vítimas da correria corporativa.

           

Gabriel Goffi, CEO da High Stakes Academy, afirmou, de forma bastante assertiva, que enquanto não conseguirmos definir o que é prioridade, iremos fazer muito o que gostamos (como assistir séries, navegar pelas redes sociais) e continuar acordando às 5 horas da manhã para trabalhar em projetos que não levam a lugar algum, porque naquele instante é o que acreditamos estar correto.

 

Nesse momento proponho um desafio a você: reflita, onde você espera que sua carreira te leve? Em que posição você pretende estar em um, dois ou cinco anos? Se aceitou o desafio, agora tem uma prioridade, se tem uma prioridade, todo o resto torna-se apenas o resto.

 

 Essa prioridade deve ser lembrada como o remédio para gastrite, que quando priorizamos a cura, abrimos mão de todos os alimentos que não contribuem para isso. Agora faz sentido abrir mão das horas no Instagram para ler aquele livro que vai facilitar sua chegada ao alvo. Definir com paixão aonde se quer chegar é “amar tanto o que você faz e querer tanto alcançar seus objetivos, que você consegue fazer um monte de coisas que até odeia e deixa de lado as coisas que gosta, pois você sabe que são essas escolhas que vão te fazer alcançar os resultados que você tanto deseja”, segundo Gabriel Goffi.

 

Não é necessário que se estabeleça uma única prioridade, uma vez que dividimos nossa vida em aspectos pessoais, profissionais e etc., o adequado é que tenhamos em mente o que é mais importante, significativo. Essa decisão cabe apenas a você, e após isso, uma série de ferramentas podem dar suporte para manutenção da meta, como o PDCA*, por exemplo, contrariando as perspectivas de uma geração de adultos cultos e ansiosos, que faz muito sobre tudo, mas nunca alcança a satisfação. Tomando doses paulatinas de prioridade, naturalmente alcançaremos a tão almejada excelência com foco no resultado, desde que saibamos qual o resultado esperado.

 

*PDCA PDCA (do inglês: PLAN - DO - CHECK - ACT / Plan-Do-Check-Adjust) é um método iterativo de gestão de quatro passos, utilizado para o controle e melhoria contínua de processos e produtos. É também conhecido como o círculo/ciclo/roda de Deming, ciclo de Shewhart, círculo/ciclo de controle, ou PDSA (plan-do-study-act)

 

 

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Guilherme Lucena

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